
Por mais que surjam negativas de ódio ao catolicismo e outras religiões por parte de evangélicos bolsonaristas, o histórico desse movimento já ofereceu inúmeras evidências do contrário
Quando o pastor evangélico Victório Galli introduziu o projeto de lei 2.623/2007 para eliminar Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, a justificativa era a de que isso respeitaria a laicidade do Estado – um argumento obviamente demagógico quando vindo de uma bancada que há décadas se esforça para alterar inúmeras leis com o único propósito de obrigar a sociedade a se adequar às suas crenças particulares. Além disso, mesmo países conhecidos por seu secularismo, como os escandinavos, incluem em seu calendário uma série de datas que celebram elementos religiosos e que são vistas pelos cidadãos não como concessões à Igreja, mas com a compreensão de que se trata de heranças históricas e culturais (algo inevitável quando consideramos a idade e a prevalência do catolicismo).
Hoje integrante do PSL, que se tornaria também o partido pelo qual Jair Bolsonaro se tornaria presidente, Galli acabou vendo o projeto ser arquivado pela Câmara, mas essa de forma alguma se tornou a única tentativa por parte de evangélicos e bolsonaristas de atacar o catolicismo e outras religiões.
E como ações valem muito mais do que palavras, vejamos se as negativas da família Bolsonaro encontram respaldo no histórico do movimento que encabeçam:
Em 2022, quando Jair estava no poder, bolsonaristas invadiram as celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida no Santuário de Aparecida e hostilizaram o padre Camilo Junior e o próprio arcebispo Dom Orlando Brandes. Não satisfeitos, atacaram também os funcionários da TV Aparecida e mesmo os fiéis presentes no Santuário. Ações similares aconteceram em Jacareí (SP) e em Curitiba.
É importante notar como o simples fato de um Bolsonaro estar no poder serviu para empoderar seus seguidores – e durante a gestão do miliciano, dúzias e dúzias de incidentes protagonizados por bolsonaristas indicaram justamente como estes se viram autorizados pelo líder a ações de franca hostilidade contra qualquer um que julgassem “inimigos”.
Mas sigamos: em 2021, o deputado estadual Frederico d´Avila, do PSL de São Paulo (e aliado de primeira hora da família Bolsonaro), subiu à tribuna da assembleia para fazer um discurso extremamente agressivo contra católicos, insultando o arcebispo de Aparecida e também o Papa Francisco, usando termos como “vagabundo” e “safado”. Não satisfeito, chamou ambos de “pedófilos safados” (convenientemente ignorando os inúmeros escândalos de abuso sexual envolvendo pastores) – e acho apenas apropriado que este mesmo parlamentar tenha proposto que a assembleia homenageasse ninguém menos do que o carniceiro Augusto Pinochet.
É relevante lembrar, também, como Michelle Bolsonaro declarou, durante um culto evangélico, que antes de seu marido ocupar o Planalto o palácio era um “lugar consagrado a demônios” – algo que lideranças religiosas encararam como um ataque aos artefatos e imagens católicos que fazem parte do acervo presidencial e que também incluem vários de religiões de matriz africanas (outro alvo constante de Michelle).
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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