
16 anos após “A Rede Social”, de David Fincher, roteirista Aaron Sorkin agora assume a direção de longa-metragem com Jeremy Strong como Mark Zuckerberg
Em 2010, o cineasta David Fincher contou a história da criação do Facebook em A Rede Social, que garantiu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado para Aaron Sorkin (diretor e roteirista de A Grande Jogada e Os 7 de Chicago, pelos quais também foi indicado). Agora, Sorkin assume novamente o roteiro e também a direção de O Outro Lado das Redes, com Jeremy Strong (O Aprendiz e Succession) assumindo o papel de Mark Zuckerberg. Com estreia prevista para 22 de outubro, o longa-metragem terá sessões antecipadas durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
A continuação indireta do filme de 2010 agora enfoca na investigação do repórter Jeff Horwitz (Jeremy Allen White) para o The Wall Street Journal, que culminaram na divulgação de uma série de reportagens em 2021, conhecidas como “The Facebook Files”. A investigação de Horwitz contou com uma fonte dentro da própria corporação, a cientista de dados Frances Haugen, que vazou uma série de documentos da empresa, revelando sua identidade e, posteriormente, testemunhando no Senado estadunidense. No longa-metragem, ela é interpretada por Mikey Madison, vencedora do Oscar por Anora e que, curiosamente, não está em nenhuma rede social.
Na linha de obras de jornalismo investigativo como Spotlight: Segredos Revelados ou Todos os Homens do Presidente, O Outro Lado das Redes acompanha a investigação do repórter e a construção do seu relacionamento com a fonte. Paralelamente, Mark Zuckerberg passa por uma série de media trainings para lidar com crises e questionamentos dos políticos. O roteiro de Sorkin, que vale ressaltar vem de uma tradição de obras muito políticas com a série The West Wing, sobre os bastidores da Casa Branca, é engenhoso ao construir essa história de maneira não linear, indo em um vai e vêm temporal que mantêm o público instigado, sem tornar a narrativa confusa.
Como é comum quando uma obra é muito explicativa, é provável que se vejam muitas críticas por aí reclamando de um didatismo na construção do filme. Entretanto, certos temas pedem que as coisas sejam ditas e não fiquem apenas nas entrelinhas: a democracia, e a influência das redes sociais e das grandes corporações na atualidade, são alguns desses temas que precisam ser deixados claros. E O Outro Lado das Redes faz isso de maneira leve, envolvente e, sim, muitas vezes revoltante – Jeremy Strong provando mais uma vez ser excelente em personagens de embrulhar o estômago.
O Outro Lado das Redes amarra a história do Facebook se transformando de uma plataforma de “encontros” para um negócio sem escrúpulos e sem comprometimento com a sociedade, e é uma obra que cai como luva para explicar a ascensão de discursos extremistas e antidemocráticos. Está tudo alí: da desinformação sobre a pandemia à invasão do Capitólio. Todavia, paralelamente, também é uma história sobre a importância do jornalismo, e a coragem de poucos de enfrentar uma empresa “maior que qualquer governo”.
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📰 Fonte: revistaforum.com.br
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