
Ruminação e supressão emocional podem prolongar os efeitos de um conflito; psicóloga explica por que algumas conversas continuam mesmo depois que terminam
Você encerra uma conversa, segue o dia, mas a discussão não vai embora. A frase dita pelo outro volta à cabeça. Você imagina respostas que não deu, reorganiza mentalmente o que gostaria de ter falado e pensa em como aquela conversa poderia ter terminado de outra maneira.
Às vezes, o conflito acaba para as duas pessoas quando elas param de falar. Mas isso não significa necessariamente que ele tenha sido resolvido, ou que tenha deixado de produzir emoções em quem participou dele.
Por um lado, nem toda discussão precisa ser resolvida na hora: interromper uma conversa pode ser uma forma de evitar que a irritação aumente. Uma pessoa pode perceber que está emocionalmente alterada, preferir se afastar por algum tempo e retomar o assunto quando conseguir organizar melhor o que pensa.
O ponto importante é o que acontece depois. Existe uma intenção de voltar ao assunto? A pessoa consegue falar sobre o que aconteceu quando está mais tranquila? Ou aquele conflito simplesmente desaparece da conversa, enquanto continua sendo processado internamente?
Segundo a psicóloga e especialista em psicologia integrativa Lilian Barbosa de Rezende, que atua há mais de 35 anos na área, a dificuldade persistente de se posicionar pode estar relacionada, em alguns casos, à percepção que a pessoa tem de seu valor.
“Às vezes, reconhece, mas não tem força de posicionamento, por medo de abandono, por essa sensação de valer menos, por não reconhecer o próprio valor”, afirma.
Para Lilian, esse processo pode levar a pessoa a abrir mão gradualmente de suas próprias necessidades e opiniões.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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