A Ilha Geórgia do Sul, território britânico no Atlântico Sul, tornou-se cenário de uma das maiores restaurações insulares já realizadas. Ratos introduzidos por expedições humanas devastaram aves nativas, mas uma longa operação devolveu segurança aos ninhos e favoreceu a recuperação ecológica.
Os primeiros roedores provavelmente chegaram com expedições de caça a focas no fim do século XVIII. Depois, bases baleeiras e o movimento de navios facilitaram sua expansão por grande parte da costa, transformando uma introdução acidental em grave ameaça para a fauna.
Sem mamíferos terrestres predadores em sua história evolutiva, muitas aves faziam ninhos no chão ou em tocas acessíveis. Ratos e camundongos consumiam ovos e filhotes, reduzindo populações e impedindo a reprodução em áreas inteiras da ilha durante sucessivas gerações.
A invasão alterou diferentes partes do ecossistema:
O pipit da Geórgia do Sul, ave endêmica e único pássaro canoro subantártico, ficou restrito principalmente a ilhotas sem roedores e trechos protegidos. Outras espécies, como petréis e o pato-rabo-alçado local, também perderam território reprodutivo e sofreram forte declínio.
A geografia montanhosa ainda criou divisões temporárias: geleiras que chegavam ao mar dificultavam a passagem dos ratos entre setores costeiros. Com o recuo dessas barreiras naturais, conservacionistas perceberam que o tempo para impedir uma invasão mais ampla estava diminuindo rapidamente e exigia ação.
A campanha liderada pela South Georgia Heritage Trust foi dividida em grandes fases de distribuição de iscas, realizadas em 2011, 2013 e 2015. Três helicópteros cobriram áreas extensas e equipes também trabalharam manualmente dentro de antigas estações baleeiras, onde a aplicação aérea era inadequada.
Helicópteros permitiram alcançar encostas, vales e trechos costeiros inacessíveis por terra.
📰 Fonte: catracalivre.com.br
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