Pavor, correntes e cadáveres: como a Roma Antiga inventou as histórias de fantasma

Pavor, correntes e cadáveres: como a Roma Antiga inventou as histórias de fantasma
Pavor, correntes e cadáveres: como a Roma Antiga inventou as histórias de fantasma

Tente imaginar a cena: você está sozinho à noite, sob a luz fraca de uma vela de cera, tentando concentrar-se na leitura. De repente, o silêncio da casa é quebrado por um barulho metálico e estridente que vem do corredor. O som de correntes arrastadas pelo chão fica cada vez mais alto, até que uma figura pálida e macabra surge na porta do seu quarto.

A cena parece ter saído de um filme de terror contemporâneo, mas esse relato foi escrito há quase 2 mil anos. Em uma carta enviada por volta do ano 100 d.C., o respeitado advogado e político romano Plínio, o Jovem, pedia a ajuda de um amigo influente para responder a uma dúvida perturbadora: afinal, fantasmas existem ou são apenas fruto da nossa imaginação?

Para embasar seu dilema, Plínio relatou o caso de uma mansão abandonada em Atenas. Um filósofo corajoso decidiu alugar a residência a preço de banana e acabou cara a cara com o espectro acorrentado. Em vez de fugir em pânico, o pensador acompanhou o vulto até o quintal, onde a aparição simplesmente afundou na terra. No dia seguinte, ao escavar o local indicado, as autoridades encontraram uma ossada humana presa a correntes de ferro.

Na cultura romana, relatos como esse não serviam apenas para dar sustos ao redor da fogueira. A literatura da época mostra que o grande terror dos antigos não era a morte em si, mas a falta de um sepultamento adequado.

Segundo a crença popular do Império Romano, a alma de alguém cujo corpo não recebesse os rituais fúnebres corretos ficava presa à Terra, condenada a vagar e a aterrorizar os vivos até que seus restos mortais fossem enterrados com dignidade. Foi exatamente o que aconteceu na mansão de Atenas: assim que os ossos foram enterrados com os ritos tradicionais, a assombração cessou para sempre.

Contudo, nem todas as figuras espectrais representavam fantasmas de falecidos. Os antigos romanos também registravam encontros com aparições gigantescas e semidivinas que moldavam os rumos da história política. O historiador Suetônio revelou que o célebre imperador Júlio César presenciou uma criatura monumental antes de cruzar o rio Rubicão e dar início à guerra civil.

O próprio Plínio iniciou sua famosa carta descrevendo uma visão sobrenatural que previu com precisão a ascensão política de um homem. Nesses casos, a presença de vultos colossais servia mais como propaganda ou manifestação do destino do que como um conto assustador de terror.

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📰 Fonte: cnnbrasil.com.br

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