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Kevin Pina (6), de Cabo Verde, durante pausa para hidratação — Foto: AP/Eric Gay)
Nos últimos dias, vídeos de jogadores enchendo a boca com uma bebida e cuspindo em seguida, sem engolir, viralizaram durante a Copa do Mundo de 2026. Nas redes sociais, o gesto rendeu piadas e teorias —de que seria água descartada por excesso de calor a especulações sobre uma suposta "técnica secreta" de desempenho.
A cena não é exclusividade do futebol: artistas em apresentações longas também recorrem a gestos parecidos em pequenos intervalos, de forma discreta.
Segundo Fernando Valente, coordenador do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e diretor do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), existe de fato uma estratégia científica por trás do gesto de cuspir líquido —mas ela não fornece nenhuma caloria extra ao atleta.
O nome técnico do método é "bochecho de carboidrato" (carbohydrate mouth rinse, na literatura científica em inglês), e seu efeito, segundo o especialista, acontece inteiramente na cabeça. Literalmente.
De acordo com Valente, a prática consiste em manter por alguns segundos na boca uma solução rica em carboidrato —geralmente uma bebida esportiva concentrada em açúcar e eletrólitos —e depois cuspi-la, sem deglutir.
Receptores presentes na cavidade bucal identificam a presença do carboidrato e enviam sinais ao sistema nervoso central, estimulando áreas cerebrais ligadas à tomada de decisão, ao controle motor e às funções executivas, entre elas o córtex pré-frontal, região central para o desempenho cognitivo durante o esforço físico intenso.
O resultado prático dessa ativação é uma redução na percepção de esforço e uma leve melhora no desempenho durante exercícios de alta intensidade. Mas o especialista faz questão de separar a sensação do combustível real: o organismo não recebe nenhuma caloria adicional.
📰 Fonte: g1.globo.com
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