Por um novo ciclo de transformação social

Por um novo ciclo de transformação social
Por um novo ciclo de transformação social

Governo Lula tem realizado importante trabalho de reconstrução institucional e de recuperação de políticas públicas. Mas reconstruir não basta.

É impossível não reconhecer a importância das conquistas alcançadas pelos governos Lula (PT). A redução da pobreza, a valorização do salário mínimo, a ampliação do emprego formal, a expansão das universidades e dos institutos federais, o fortalecimento das políticas sociais e a retomada do papel do Estado no desenvolvimento produziram mudanças concretas na vida de milhões de brasileiros.

Também é impossível ignorar que os governos petistas representaram, em diversos momentos, uma reação a décadas de abandono social, concentração de renda e ausência de políticas públicas consistentes. Programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos, os investimentos em educação e a política de valorização do salário mínimo tiveram impacto significativo sobre a vida da população mais pobre.

Essas conquistas precisam ser defendidas. Mas defendê-las não significa suspender a capacidade de análise, crítica e cobrança. Pelo contrário: quanto maior a responsabilidade histórica de um projeto político, maior deve ser sua disposição para reconhecer limites e corrigir rumos.

Depois de tantos anos de presença no poder federal, não é suficiente perguntar apenas o que foi realizado. É preciso perguntar também por que o Brasil ainda convive com desigualdades tão profundas e por que problemas fundamentais continuam sem solução.

Apesar dos avanços, o país continua entre os mais desiguais do mundo. Milhões de brasileiros ainda vivem em condições precárias, sem saneamento básico, sem acesso adequado à saúde e à educação e sem perspectivas concretas de mobilidade social.

A pobreza pode ser reduzida sem que a desigualdade seja estruturalmente enfrentada. O consumo pode aumentar sem que a população tenha acesso a serviços públicos de qualidade. O número de estudantes no ensino superior pode crescer sem que a educação básica consiga alfabetizar plenamente todas as crianças.

O Brasil avançou, mas não rompeu com as estruturas que reproduzem a exclusão. A concentração de renda permanece elevada. O sistema tributário ainda pesa proporcionalmente mais sobre os pobres do que sobre os ricos. O acesso à educação de qualidade continua determinado pelo local de nascimento. O saneamento básico permanece distante de milhões de famílias. A precarização do trabalho e a informalidade continuam afetando uma parcela enorme da população.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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