Pressão máxima no Senado: Alcolumbre trava decisão sobre fim da escala 6×1

Pressão máxima no Senado: Alcolumbre trava decisão sobre fim da escala 6×1
Pressão máxima no Senado: Alcolumbre trava decisão sobre fim da escala 6×1

Presidente do Senado resiste em acelerar a tramitação da proposta já aprovada na Câmara com mais de 460 votos, enquanto oposição articula "PEC da Escravidão"

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enfrenta pressão crescente para definir a tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara dos Deputados no final de maio. Até a noite de segunda-feira (8), nenhuma reunião de líderes havia sido convocada, apesar de Alcolumbre ter sinalizado o encontro para a terça-feira (9).

O impasse se aprofunda enquanto centrais sindicais planejam mobilização nacional e a oposição já protocolou uma proposta alternativa que flexibiliza ainda mais a jornada, chegando a um modelo sem dia fixo de descanso.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está no centro de uma disputa que envolve governo, trabalhadores e oposição: de um lado, a pressão para acelerar a votação da PEC que acaba com a escala 6×1; de outro, sua insistência em travar a tramitação do projeto. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados no final de maio, com mais de 460 votos nos dois turnos, e aguarda encaminhamento formal no Senado.

Alcolumbre reclamou publicamente do que avalia como pressão indevida para colocar o texto diretamente em plenário, algo que descartou categoricamente. Segundo aliados do presidente da Casa, o caminho esperado é que a PEC comece a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador governista Otto Alencar (PSD-BA), que já sinalizou disposição para fazer a proposta avançar. Não está definido, porém, se o texto passará por outras comissões antes de chegar ao plenário. Uma reunião de líderes partidários era aguardada para esta semana, mas até a noite de segunda-feira (8) o encontro não havia sido convocado, deixando os líderes em compasso de espera.

A proposta aprovada pela Câmara, a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê dois dias de folga por semana já no ano corrente e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais em 14 meses, sem redução salarial. A implementação seria gradual: 60 dias após a promulgação, a carga horária passaria para 42 horas semanais e, um ano depois, chegaria às 40 horas. O texto também permite escalas flexíveis em atividades essenciais, como saúde e segurança pública, desde que os dois dias de descanso sejam garantidos dentro do mesmo mês.

O governo Lula articula a aprovação da PEC como peça central de sua estratégia eleitoral. Na tribuna do Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE) foi direto ao cobrar urgência da Casa. “Cabe a este Senado, onde a matéria se encontra no momento, votar e aprovar com a urgência devida esse novo marco social para o país e para os seus trabalhadores. Este Senado tem a obrigação de encarar o tema e qualificar o debate com seriedade, com base em evidências e, sobretudo, com compromisso social e olhar humano sobre os milhões de trabalhadores deste país”, declarou. Para Costa, a demora na tramitação perpetua “um ciclo contínuo de desgaste que compromete a saúde física, mental e emocional dos trabalhadores”.

Enquanto a tramitação da PEC da Câmara permanece indefinida, as centrais sindicais decidiram partir para a ofensiva. Reunidos em plenária virtual na segunda-feira (8), mais de 500 dirigentes sindicais definiram uma estratégia de pressão que inclui visitas a parlamentares nos estados, panfletagem em locais de grande circulação nas cidades e uso intensivo da plataforma napressao.org.br, ferramenta que permite enviar mensagens diretas a cada senador por e-mail e redes sociais. As centrais também convocaram suas bases para participar de uma sessão temática sobre o tema no plenário do Senado, prevista para o dia 24 de junho.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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