Ricardo Nunes passa o trator por cima de mais um importante projeto cultural de São Paulo

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Ricardo Nunes passa o trator por cima de mais um importante projeto cultural de São Paulo

Prefeitura inicia demolição do Grêmio Cruz da Esperança e põe fim a espaço histórico do Samba do Cruz; espaço existe desde a década de 50

O Grêmio Recreativo Cruz da Esperança, sede do tradicional Samba do Cruz e um dos mais antigos espaços de convivência da comunidade da Casa Verde, na Zona Norte de São Paulo, começou a ser demolido nesta quarta-feira (29). O local amanheceu cercado por agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que acompanharam o cumprimento da reintegração de posse determinada pela Justiça.

A demolição encerra uma história de 68 anos do grêmio e põe fim a uma longa disputa judicial entre a associação e a Prefeitura de São Paulo em torno da ocupação da área.

O terreno integra uma área pertencente à União, administrada durante décadas pelo Comando da Aeronáutica devido à proximidade com o Aeroporto Campo de Marte. Segundo relatos históricos do clube e de moradores, o espaço passou a ser utilizado no fim da década de 1950 após um acordo informal entre a Aeronáutica, taxistas e moradores da região para a prática do futebol de várzea.

Em 2022, a área foi transferida ao município como parte do acordo de quitação de uma dívida da União com a Prefeitura envolvendo terrenos da região do Campo de Marte. Posteriormente, a administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) concedeu o espaço à iniciativa privada para implantação do futuro Parque Municipal Campo de Marte. A gestão do terreno passou ao Consórcio Campo de Marte, liderado pela empresa Progen.

A decisão de desocupação foi contestada pelos integrantes do Cruz da Esperança, que defendiam a permanência do espaço. Fundado em 1958, o grêmio é considerado por seus frequentadores um importante território de preservação da cultura negra e afro-brasileira na capital paulista, além de sediar atividades esportivas, rodas de samba, capoeira, eventos ligados ao candomblé e o tradicional futebol de várzea.

Nos últimos meses, moradores, artistas e lideranças políticas promoveram mobilizações contra a demolição. O presidente da associação, Antonio de Jesus Marques, conhecido como Toninho, agradeceu o apoio recebido nas redes sociais, mas lamentou que a mobilização não tenha sido suficiente para reverter a decisão da prefeitura.

Na noite de terça-feira (28), poucas horas antes do início da demolição, o espaço recebeu uma última edição gratuita do Samba do Cruz, reunindo centenas de pessoas em um ato de despedida. O evento contou com a presença da vereadora Luna Zarattini (PT-SP).


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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