Segundo psicólogos, pessoas que cresceram brincando na rua sem celular nos anos 80 e 90 desenvolveram maior tolerância ao tédio

Segundo psicólogos, pessoas que cresceram brincando na rua sem celular nos anos 80 e 90 desenvolveram maior tolerância ao tédio
Segundo psicólogos, pessoas que cresceram brincando na rua sem celular nos anos 80 e 90 desenvolveram maior tolerância ao tédio

Crianças que cresceram nos anos 80 e 90 também tinham televisão e videogames, mas não carregavam uma fonte permanente de entretenimento conectado no bolso. Os períodos sem programação exigiam inventar brincadeiras, procurar amigos e esperar, experiências que podem ter favorecido a tolerância ao tédio e a capacidade de criar estímulos por conta própria.

O entretenimento costumava depender de horários, locais e equipamentos específicos. Quando não havia um programa interessante na televisão ou amigos disponíveis na rua, a criança precisava lidar com a falta de estímulo imediato e decidir sozinha o que faria em seguida.

Brincadeiras livres exigiam que as próprias crianças definissem regras, dividissem equipes, resolvessem conflitos e decidissem quando uma atividade havia terminado. Sem um adulto dirigindo cada etapa, era necessário controlar impulsos, tolerar frustrações e adaptar o plano para manter o grupo unido.

Essa autonomia pode contribuir para a autorregulação emocional, mas não significa que todas as pessoas criadas naquela época desenvolveram a mesma habilidade. Condições familiares, segurança do bairro, acesso a espaços livres e características individuais também influenciavam profundamente cada experiência.

O tédio é um estado de insatisfação diante da falta de interesse ou estímulo. Em doses moderadas, ele pode funcionar como um sinal para mudar de atividade, explorar ideias e permitir que a mente vagueie, processo relacionado à imaginação e à busca de soluções.

O acesso constante a jogos, mensagens e vídeos facilita a troca imediata de qualquer situação monótona por um estímulo mais atraente. Quando isso se torna automático, a pessoa pode ter menos oportunidades de praticar a espera, sustentar a atenção ou descobrir o que fazer sem receber sugestões externas.

Isso não permite afirmar que toda tela prejudica o cérebro ou que as gerações atuais são menos criativas. Estudos encontram associações entre uso excessivo, atenção e autorregulação, mas os efeitos costumam ser pequenos e podem funcionar nos dois sentidos: crianças com mais dificuldade de se regular também podem buscar telas com maior frequência.

Não existe evidência suficiente para declarar que uma geração inteira desenvolveu maior resistência psicológica apenas por ter crescido sem smartphones. A comparação é plausível como reflexão sobre hábitos, mas pode romantizar o passado e ignorar diferenças de educação, personalidade, renda, ambiente familiar e acesso a atividades.


📰 Fonte: catracalivre.com.br

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