"Bem-vindos ao Paraguai", repetia alto o chefe do serviço de imigração em Ciudad del Este enquanto caminhava entre cadeiras de praia, bancos de plástico e cangas.
"Amanhã, às 7h, começaremos a distribuição de fichas. Às 8h, começa o atendimento para quem quer tirar residência."
A mensagem era destinada a centenas de brasileiros organizados em uma longa fila que faziam silêncio - pontuado por aplausos - para ouvir as orientações em espanhol após um dia inteiro acampados sob o sol forte e no chão de terra vermelha de Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.
Era noite do penúltimo domingo de março. Só dali a 12 horas começaria de fato o mutirão itinerante do governo paraguaio para agilizar a emissão de documentos para quem quer se mudar para o país.
A fila, porém, já quase dobrava a esquina, e os brasileiros ainda tinham pela frente várias horas mais de calor, chuva e mosquitos para garantir atendimento no dia seguinte.
"Viemos conhecer tudo isso que o Paraguai tem para oferecer aos brasileiros", dizia sorridente Delly Fragola, de 55 anos, sentada em uma cadeira de praia colorida comprada para encarar a espera.
Dona de um salão de cabeleireiro em Anápolis, no interior de Goiás, ela tinha chegado às 8h junto com a filha e o genro.
Estavam ali porque o "Brasil não tem mais oportunidades" para seu negócio. No Paraguai, diziam, poderiam encontrar "mão de obra mais facilitada".
📰 Fonte: bbc.com