Surto de ebola: a derrota dos EUA na Justiça do Quênia

Surto de ebola: a derrota dos EUA na Justiça do Quênia
Surto de ebola: a derrota dos EUA na Justiça do Quênia

Ativistas e médicos denunciam "abdicação moral" dos EUA e celebram decisão que impede o Quênia de se tornar "colônia de contenção" para o ebola

Um tribunal queniano suspendeu temporariamente, em decisão divulgada nesta sexta-feira (29), um plano para estabelecer um centro de quarentena para cidadãos estadunidenses expostos ao vírus ebola.

A determinação judicial veio um dia após autoridades dos Estados Unidos terem afirmado que o Quênia havia aprovado o pedido, em um momento de crescente surto da doença em países vizinhos como Uganda e República Democrática do Congo. O pedido foi apresentado ao Supremo Tribunal do Quênia pelo Instituto Katiba, um grupo de direitos civis que atua no país.

“Em essência, o caso trata de preservar a responsabilidade constitucional, proteger a saúde pública e garantir que nenhum governo possa colocar a conveniência acima da vida e da segurança do povo do Quênia”, disse Nora Mbagathi, diretora executiva do Instituto Katiba, ao site da organização.

O centro de quarentena, com capacidade para 50 leitos, estava programado para ser inaugurado na Base Aérea de Laikipia, a cerca de 200 quilômetros de Nairóbi, capital queniana, e seria administrado por membros do Serviço de Saúde Pública dos EUA. A iniciativa reflete a postura do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou em reunião de gabinete na quinta-feira (28): “não podemos e não vamos permitir que nenhum caso de ebola entre nos Estados Unidos”, indicando a intenção de isolar os cidadãos estadunidenses fora de seu território.

A medida gerou forte repúdio no Quênia. O Instituto Katiba, em sua petição, argumentou que o plano estava sendo estabelecido em segredo e unilateralmente, levantando “graves preocupações constitucionais”. “Em essência, o caso trata de preservar a responsabilidade constitucional, proteger a saúde pública e garantir que nenhum governo possa colocar a conveniência acima da vida e da segurança do povo do Quênia”, pontou Nora Mbagathi.

Líderes eleitos do Condado de Laikipia questionaram a lógica do plano. “O que o governo dos EUA sabe sobre isso, que não aceita seus próprios cidadãos afetados em seu território, mas está pronto para recebê-los em outro lugar?”, questionaram, em declaração conjunta, segundo o site Common Dreams.

O Sindicato dos Médicos, Farmacêuticos e Dentistas do Quênia (KMPDU) também celebrou a decisão, após ter ameaçado greve.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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