Tarifaço dos EUA: Lula transforma ‘limão’ em ‘limonada’ política para atrair empresários e desmascarar oposição

Tarifaço dos EUA: Lula transforma ‘limão’ em ‘limonada’ política para atrair empresários e desmascarar oposição
Tarifaço dos EUA: Lula transforma ‘limão’ em ‘limonada’ política para atrair empresários e desmascarar oposição

Com tarifas de 25% entrando em vigor nesta quarta (22), governo inicia rodada de reuniões com setores produtivos afetados e enxerga na crise uma oportunidade política para reconfigurar alianças antes de 2026

O governo Lula dará início nesta terça-feira (21) a uma série de reuniões com associações do setor produtivo para discutir os impactos do tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que entra em vigor nesta quarta (22). As conversas são coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), com participação do Ministério da Fazenda e do vice-presidente Geraldo Alckmin, e têm como pano de fundo não apenas a resposta econômica à ofensiva comercial de Donald Trump, mas também uma aposta política do Palácio do Planalto: usar a crise para se aproximar de um empresariado historicamente mais alinhado à direita, às vésperas das eleições de 2026.

As primeiras entidades recebidas nesta terça serão a Abicalçados, a Abit e a Abiplast. Ao longo da semana, estão previstas reuniões com Anfavea, Sindipeças, Abmaq, Abinee e Anip, entre outras. A lógica do governo é escutar as demandas de cada segmento, apresentar as ações já em curso e ajustar a resposta ao protecionismo norte-americano conforme as especificidades de cada cadeia produtiva.

O Mdic, sob comando do ministro Márcio Elias Rosa, lidera as tratativas. A presença de Dario Durigan, da Fazenda, e do vice-presidente Geraldo Alckmin, que já ocupou a pasta do Desenvolvimento durante o primeiro tarifaço, em meados de 2025, sinaliza o peso que o governo atribui ao processo: ao colocar figuras de peso na mesa com os empresários, o Planalto busca demonstrar disposição e capacidade de resposta diante de uma agressão externa.

Segundo cálculos do próprio Mdic, o novo tarifaço dos EUA deve atingir 18% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano. Outros 57% da pauta exportadora permanecem isentos. Os segmentos mais expostos são madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Além da tarifa de 25%, os EUA já anunciaram uma sobretaxa adicional de 12,5% para países com alegadas falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil, com confirmação esperada ainda nesta semana.

Para enfrentar o cenário, o governo prepara uma recalibragem do Plano Brasil Soberano, voltado ao apoio de exportadores de bens industriais. O ministro Durigan adiantou que os efeitos do plano revisado devem ser sentidos já no próximo mês, sem detalhar valores. Em paralelo, a Apex Brasil reservou R$ 130 milhões para diversificar os destinos das exportações brasileiras, com foco na União Europeia, aproveitando o acordo com o Mercosul, na Asean e em países da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão. Uma das ações previstas é custear viagens de compradores estrangeiros ao Brasil para fechar contratos com empresas nacionais.

Auxiliares presidenciais avaliam abertamente que a crise das tarifas abre uma janela política. Muitos dos setores mais atingidos são historicamente próximos à família Bolsonaro, principal polo de oposição a Lula na corrida pela Presidência. Mas a pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quinta-feira indica que 51% dos entrevistados concordam com o argumento de Lula de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apoiou a taxação estadunidense. Se o campo petista conseguir consolidar esse sentimento, a avaliação interna é de que pode ampliar a vantagem na disputa eleitoral.

A movimentação de Lula vai além das reuniões com empresários. O presidente pediu ao presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, nesta segunda-feira (20), que as centrais adotassem uma postura mais dura contra Paulo Skaf, presidente da Fiesp, após a entidade atribuir ao governo as tarifas norte-americanas e criticar “ruídos diplomáticos desnecessários” na relação com Washington. Neto confirmou o pedido e disse que o presidente sugeriu que as centrais fossem à porta da Fiesp.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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