
Relatório atualiza quadro de concentração de renda no mundo e mostra em dados que trabalhadores perdem cada vez mais o poder de compra, enquanto executivos e acionistas ampliam suas fortunas
A riqueza produzida pelo trabalho está cada vez mais concentrada entre CEOs e acionistas, enquanto os trabalhadores enfrentam uma contínua perda de poder de compra em todo o mundo. Essa é a principal conclusão de um novo levantamento da Oxfam e da Confederação Sindical Internacional (CSI), que atualiza o cenário de concentração de renda. A pesquisa foi divulgada em maio deste ano.
Segundo a análise, entre 2019 e 2025, os salários reais dos trabalhadores recuaram 12%, enquanto a remuneração dos CEOs disparou 54% no mesmo período. Apenas em 2025, os executivos das 1.500 maiores empresas analisadas receberam, em média, US$ 8,4 milhões entre salários e bônus, valor que representa um aumento real de 11% em relação ao ano anterior. Já o rendimento médio dos trabalhadores cresceu apenas 0,5%.
Os bilionários atingiram um novo recorde de riqueza em 2025: estão US$ 4 trilhões mais ricos do que estavam há 12 meses. Atualmente, quatro em cada cinco bilionários possuem mais riqueza do que um ano atrás. Juntas, suas fortunas somam US$ 1,5 trilhão a mais do que a riqueza combinada dos 4,1 bilhões de pessoas mais pobres do planeta. Há 400 bilionários a mais (um aumento de 13%) em comparação com o ano anterior, sendo que 45 dos novos bilionários construíram suas fortunas com a inteligência artificial.
O estudo aponta que só em 2025 seria necessário uma pessoa trabalhar 490 anos para que recebesse o equivalente ao salário anual de um CEO de grandes corporações. Veja alguns dos dados apresentados pelo relatório:
Se os salários ficaram praticamente estagnados, os ganhos do capital avançaram em velocidade muito maior. A Oxfam identificou na pesquisa que cerca de mil bilionários receberam, juntos, US$ 79 bilhões em dividendos somente em 2025, o equivalente a US$ 2.500 por segundo.
Na prática, um bilionário médio ganhou, apenas com dividendos, mais dinheiro em menos de duas horas do que um trabalhador recebeu durante todo o ano. Segundo o estudo, os maiores pagamentos foram destinados ao empresário francês Bernard Arnault, dono da LVMH, que recebeu US$ 3,8 bilhões, e a Amancio Ortega, controlador da Inditex, dona da Zara, que embolsou US$ 3,7 bilhões.
Os dez executivos mais bem remunerados do mundo receberam, juntos, mais de US$ 1 bilhão em salários e bônus em apenas um ano. O maior pagamento foi para Hock Tan, da Broadcom, que recebeu mais de US$ 205 milhões. Também ultrapassaram a marca dos US$ 100 milhões os executivos da Blackstone e do Goldman Sachs. Não é a toa que Elon Musk, aliado à extrema direita no mundo, tornou-se o primeiro trilionário do planeta em tempo tão curto de vida.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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