
Vítimas denunciaram ameaças, agressões e salários retidos após serem levadas do Rio Grande do Sul com promessa de trabalho
Dois trabalhadores gaúchos, de 19 e 33 anos, foram resgatados em uma fazenda de Alta Floresta (MT), após denunciarem terem sido vítimas de ameaças, agressões e condições análogas à escravidão. O patrão, de 39 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar na última sexta-feira (22).
As vítimas haviam saído do Rio Grande do Sul com a promessa de trabalho, contratados por um empreiteiro que retinha parte de seus salários e era o responsável pelos maus-tratos. Eles contaram que, embora contratados para um período de três meses, recebiam apenas metade do valor mensal, com o restante prometido para o final do contrato. Além disso, eram ameaçados constantemente pelo empregador, que reclamava do rendimento e dizia que os deixaria sem recursos para retornar ao seu estado de origem.
A situação de exploração veio à tona após uma das vítimas ser agredida com tapas e chutes, durante um deslocamento para a fazenda, sob falsa acusação de furto de uma caixa de som.
Após a agressão, o trabalhador procurou a polícia. Foi realizada uma busca no alojamento utilizado pelos trabalhadores e registradas imagens das condições degradantes do local, segundo o portal G1. O suspeito foi encontrado em uma estrada próxima e preso em flagrante.
Dados do relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, da Comissão Pastoral da Terra (CPT-MT), revelam que o estado lidera o ranking nacional de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão.
Apenas em 2025, 606 pessoas foram libertadas de situações degradantes, incluindo um caso emblemático com 586 trabalhadores em uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte. Na ocasião, foram identificados alojamentos pequenos e superlotados, com quartos de apenas 12 m² abrigando até quatro pessoas, sem ventilação ou qualquer sistema de climatização.
Segundo dados do Ministério Público do Trabalho do estado, em 2025, o MPT-MT recebeu 50 denúncias de trabalho análogo ao de escravo e, no mesmo período, foram firmados 9 Termos de Ajuste de Conduta (TACs) e ajuizadas 6 Ações Civis Públicas (ACPs).
📰 Fonte: revistaforum.com.br