O turismo religioso começa a incorporar uma visão mais integrada de gestão, na qual fé, patrimônio, cultura e atividade econômica passam a ser tratados em conjunto. No Sudeste, a discussão envolve a profissionalização dos destinos, a criação de roteiros, a permanência dos visitantes e a articulação entre Igreja, poder público, iniciativa privada e comunidades.
Esse foi um dos principais temas do 1º Fórum Regional Sudeste de Turismo Religioso, realizado na semana passada em Vitória (ES). Com o tema “Peregrinos e Destinos: a força da Espiritualidade no Turismo do Sudeste”, o encontro reúniu representantes da igreja católica, templo budista, gestores públicos, especialistas e profissionais do turismo dos quatro estados da região.
Mais do que discutir a movimentação de peregrinos, o fórum colocou em pauta como transformar destinos isolados em uma rede regional de fé. A proposta passa por aproximar quem administra os espaços religiosos de gestores públicos e empresários responsáveis pela hospedagem, alimentação, transporte, receptivo e demais serviços utilizados pelos visitantes.
A palestra de abertura foi conduzida por Sidnésio Moura, consultor do Sebrae e especialista no setor. Ele defendeu que o turismo religioso precisa ser tratado a partir de diferentes áreas de conhecimento, reunindo a dimensão espiritual, a gestão pública e a visão empresarial.
“O turismo religioso no Brasil precisa de um olhar técnico, científico e mercadológico. As lideranças religiosas entendem a dimensão espiritual, o poder público cuida da gestão e o trade entende de negócios. Nosso papel é juntar essas engrenagens em um único ambiente para que o setor funcione e avance com governança”, observou Moura.
A dimensão econômica aparece justamente nessa cadeia. O peregrino que chega a um destino religioso também utiliza meios de hospedagem, restaurantes, transporte, agências e receptivos, além de consumir produtos do comércio local, artesanato e atividades culturais.
Pedro Rigo, superintendente do Sebrae-ES, colocou a atuação da entidade dentro dessa lógica de estruturação da cadeia. Segundo ele, o trabalho envolve aproximar o patrimônio religioso da atividade econômica e apoiar os empresários que participam da recepção dos visitantes. “O turismo religioso conecta o negócio à fé das pessoas. O Espírito Santo possui uma riqueza histórica e espiritual enorme, e o papel do Sebrae é apoiar o trade para transformar esse patrimônio em oportunidade, desenvolvimento e bem-estar”, declarou.
Para Dom Ângelo Ademir Mezzari, arcebispo da Arquidiocese de Vitória, a atividade também pode produzir efeitos sociais e contribuir para a valorização do patrimônio. “O turismo religioso é uma das maiores expressões de fraternidade universal e diálogo. Ele conecta a experiência espiritual à contemplação da beleza histórica, além de atuar como uma ferramenta de justiça social, combate à pobreza e preservação ambiental ao movimentar a economia local e valorizar o patrimônio”, declarou o religioso.
📰 Fonte: catracalivre.com.br
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