
Com o dobro do tamanho do feijão carioca, de formato arredondado, claro, rajado de vermelho, ele tem teor de proteína em torno de 22%
O setor produtivo brasileiro ganha um novo produto que promete atender bem o mercado externo e interno, o feijão cranberry IAC 2662 Borlotti. O grande diferencial da novidade é a sua tolerância ao escurecimento do grão por pelo menos seis meses. A inovação saída do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) resolve um dos principais gargalos logísticos da exportação, garantindo que o produto chegue ao destino internacional com a mesma cor, aparência e qualidade com que saiu do Brasil.
O tempo de transporte marítimo para o exterior costuma levar de 60 a 90 dias, período em que os grãos tradicionais costumam escurecer e perder valor comercial. “Essa tolerância garante maior qualidade do grão e oferece segurança adicional para quem exporta, já que o produto mantém sua aparência durante mais tempo de armazenamento”, destaca Alisson Chiorato, pesquisador responsável pelo desenvolvimento da cultivar ao lado de Sérgio Carbonell.
Além de atender à forte demanda do mercado europeu por feijões especiais, a nova cultivar surge como alternativa estratégica para o agricultor manter sua renda nos momentos em que os preços dos tipos tradicionais (carioca e preto) sofrem quedas no mercado interno. Outro fator importante é que tem potencial produtivo de até 3.500 kg por hectare e ciclo precoce, com colheita entre 75 e 80 dias após o plantio. A indicação de cultivo pelo IAC são nos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Importante dizer que as características deste novo feijão também deve agradar o consumidor final. Ele tem o dobro do tamanho do feijão carioca, de formato arredondado, claro, rajado de vermelho. O teor de proteína fica em torno de 22% e demora cerca de 32 minutos para ser cozido. A cultivar está em fase final de registro e tem previsão de lançamento comercial para o final deste ano.
O feijão continua sendo o grande líder no ecossistema de transferência de tecnologia para o campo. Apenas no primeiro semestre de 2026 (de janeiro a maio), as sementes de feijão responderam por 62,3% do volume total de grãos comercializados pela instituição desenvolvedora (72.850 kg). Os destaques de vendas no período foram as cultivares IAC 2051 e IAC 2560 Nelore, somando 26 toneladas destinadas principalmente aos estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais.
Entre 2016 e 2025, o volume negociado alcançou 645 mil quilos de sementes de feijão, abrangendo 92 cultivares distintas e consolidando a cultura como a de maior diversidade genética do portfólio do órgão. É também o grão que se destaca como a espécie com maior diversidade genética, totalizando 25 cultivares distintas nesse período, seguido pelo amendoim, com nove cultivares.
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📰 Fonte: revistaforum.com.br
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