Uma fábrica que transformava milhares de caramujos em tinta roxa mostrou que a indústria de luxo já existia há quase 3 mil anos

Uma fábrica que transformava milhares de caramujos em tinta roxa mostrou que a indústria de luxo já existia há quase 3 mil anos
Uma fábrica que transformava milhares de caramujos em tinta roxa mostrou que a indústria de luxo já existia há quase 3 mil anos

Na costa de Haifa, em Israel, Tel Shiqmona guardou manchas roxas em cerâmicas por quase três milênios. Uma análise publicada em 2025 reuniu mais de uma centena de objetos tingidos e grandes recipientes industriais, mostrando que o local funcionou como centro especializado de produção de púrpura a partir de moluscos marinhos.

O sítio possui níveis da Idade do Ferro ocupados entre aproximadamente 1100 e 600 a.C. Pesquisadores revisaram escavações antigas e materiais mais recentes, identificando 176 objetos associados à produção de corante, dos quais 135 apresentavam manchas roxas. Vinte e oito amostras passaram por análise química detalhada.

Os resultados confirmaram compostos característicos do corante obtido de moluscos da família Muricidae. A quantidade e a repetição dos vestígios fazem do conjunto uma evidência rara de produção sustentada em escala industrial, em vez de um experimento ocasional feito por uma pequena oficina doméstica.

O corante vinha de uma pequena glândula dos moluscos conhecidos como murex. O material extraído começava claro ou esverdeado e passava por reações químicas controladas com exposição ao ar, luz, aquecimento e outras etapas de processamento até produzir tons entre azul e púrpura.

Cada animal oferecia pouca matéria prima, por isso a produção de tecido tingido exigia grande quantidade de moluscos e muito trabalho. O processo também gerava odor forte. A dificuldade de obter e transformar o pigmento ajudava a explicar por que tecidos purpúreos podiam alcançar enorme valor e ficar associados a elite e poder.

Entre os vestígios aparecem grandes vasos capazes de armazenar centenas de litros, além de ferramentas e fragmentos especializados. Alguns períodos mostram vários recipientes funcionando ao mesmo tempo. Essa padronização indica planejamento de produção, controle de matéria prima e conhecimento técnico transmitido ao longo de gerações.

O artigo publicado na PLOS One descreve Tel Shiqmona como a primeira evidência inequívoca conhecida de uma fábrica de púrpura que operou de maneira especializada e duradoura no Mediterrâneo antigo. A atividade ganha escala especialmente a partir do século IX a.C.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Clean City – Israel mostrando a escavação sendo realizada em Tel Shiqmona.


📰 Fonte: catracalivre.com.br

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