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União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
Maior exportador de carne bovina do Mercosul e um dos mais competitivos do mundo no setor, o Brasil passou a ser o principal alvo de barreiras sanitárias europeias após a entrada em vigor provisória do Acordo de Associação Mercosul-União Europeia, em 1º de maio de 2026.
Poucos dias depois, em 12 de maio, a Comissão Europeia anunciou restrições à importação de carne bovina brasileira.
A medida, justificada por alegadas falhas sanitárias e problemas de rastreabilidade animal, não atinge apenas um dos setores mais estratégicos da pauta de exportações do país. Ela também expõe uma tensão estrutural do acordo: a diferença entre a forma como a União Europeia e o Mercosul tomam decisões e exercem o poder regulatório.
A decisão ocorreu em um contexto de crescente pressão política e econômica dentro da Europa para proteger produtores rurais europeus diante da competitividade agrícola sul-americana.
Ao mesmo tempo em que a União Europeia apresenta o Acordo como instrumento de fortalecimento do multilateralismo, da sustentabilidade e da integração econômica entre democracias, governos europeus enfrentam oposição doméstica.
Essa oposição vem, sobretudo, de setores agrícolas preocupados com a entrada de produtos agropecuários mais baratos e competitivos vindos do Mercosul.
Nesse cenário, mecanismos sanitários e fitossanitários passaram a funcionar também como instrumentos de proteção econômica e acomodação política interna. Esse movimento se intensifica especialmente em períodos pré-eleitorais em alguns países europeus e em um momento de incertezas internacionais.
📰 Fonte: g1.globo.com